Michael Adams não produz muitos fogos de artifício logo de cara — sua arte é o estrangulamento lento, a partida que parece tranquila até o adversário ficar sem ar em silêncio. Mas quando a posição pede um nocaute, “A Aranha” também sabe desferir um golpe. Aqui estão algumas de suas partidas e campanhas mais celebradas, contadas em bom português para que você aproveite a história mesmo sem querer mover as peças você mesmo.
Adams contra Carlsen, Olimpíada de 2010 — a Aranha morde o número 1 do mundo
Esta é a partida de Adams que a maioria dos fãs casuais conhece, e por um bom motivo. Na Olimpíada de Xadrez de 2010, em Khanty-Mansiysk, a Inglaterra enfrentou a Noruega, o que significou que Adams se sentou com as peças brancas contra Magnus Carlsen — naquele momento o jogador número 1 do mundo em rating. A partida foi disputada em 27 de setembro de 2010.
Carlsen, em seu estilo característico, tentou tirar Adams da teoria com uma montagem de abertura deliberadamente inusitada e provocativa (uma ideia antiga associada a Gerard Welling e Tony Miles, com o cavalo das pretas fazendo um passeio estranho até a beira do tabuleiro e voltando). Contra a maioria dos jogadores, a surpresa poderia ter funcionado. Contra Adams, saiu pela culatra: ele construiu com calma uma posição superior, foi melhorando aos poucos e depois — de forma incomum para ele — encerrou com um ataque sacrificial, abrindo caminho para um limpo e convincente 1–0.
Vencer o número 1 do mundo em exercício com a iniciativa, num grande palco por equipes, é o tipo de resultado que faz uma carreira. Também virou a chave na reputação de Adams: o mestre posicional paciente mostrando que sabia caçar um rei quando a partida exigia. A partida é lembrada com carinho sob o título “Mad Dogs and Englishmen” (“Cães Loucos e Ingleses”).
Adams contra Tiviakov, Candidatos da PCA de 1994 — a favorita dele mesmo
Peça ao próprio Adams para escolher sua partida mais memorável, e ele não escolhe a vitória sobre Carlsen. Ele aponta de volta para a partida decisiva do desempate em seu confronto de Candidatos contra Sergei Tiviakov, disputada nos Candidatos da PCA de 1994, em Nova York.
O contexto é o que a tornou especial. Foi, nas palavras do próprio Adams, “uma conclusão gratificante de um confronto longo, duro e tenso, em que as batalhas anteriores elevaram a pressão”. As partidas clássicas tinham sido uma luta, os desempates anteriores tinham todos terminado empatados, e tudo se resumiu a uma última partida decisiva — que Adams venceu para avançar. Décadas depois, ele ainda a cita como a partida da qual mais gosta, precisamente por causa da pressão sob a qual foi disputada. É um lembrete de que, para um profissional, as partidas que mais importam nem sempre são as mais bonitas — são aquelas que você precisou vencer quando mais importava.

A campanha do Campeonato Mundial de 2004 — a uma partida do topo
Nem toda obra-prima é uma única partida. A maior campanha de Adams veio no Campeonato Mundial da FIDE de 2004, em Trípoli, um gigantesco evento eliminatório em que um deslize em qualquer rodada manda você para casa. Adams não deslizou. Venceu confronto atrás de confronto — batendo grandes mestres fortes como Vladimir Akopian, Teimour Radjabov e um jovem Hikaru Nakamura — até chegar à final.
Lá, contra Rustam Kasimdzhanov, ele chegou angustiantemente perto. As seis partidas clássicas terminaram empatadas em 3–3, levando o título a um desempate em xadrez rápido — e foi Kasimdzhanov quem levou a melhor, com Adams perdendo o confronto por 3½–4½. É o mais perto que um jogador inglês chegou da coroa mundial na era moderna. Ele nunca teve outra chance tão boa quanto essa, e é exatamente por isso que os fãs de xadrez ainda falam sobre o “e se”. A campanha mostrou o pacote completo de Adams: um jogo de confrontos sem nervosismo, preparação profunda de abertura e a resistência para vencer partida atrás de partida sob a pressão do sistema eliminatório.
Dos Hermanas 1999 — vencendo toda a elite de uma vez
Para provar o Adams em seu melhor em torneios, veja Dos Hermanas 1999. Num dos eventos mais fortes do ano, Adams terminou em primeiro lugar, à frente de um campo genuinamente impressionante que incluía Vladimir Kramnik, Veselin Topalov, Anatoly Karpov, Viswanathan Anand, Boris Gelfand, Peter Svidler, Viktor Korchnoi e Judit Polgar. Vencer de forma isolada numa companhia dessas — futuros campeões mundiais e lendas ao mesmo tempo — é uma das declarações mais puras de o quão bom Adams era em seu auge. Ele só superaria isso em termos de resultado em Dortmund 2013, onde uma performance de rating em torno de 2925 tornou aquele possivelmente o melhor torneio de sua vida.
Por que essas partidas importam
Juntando tudo, esses resultados capturam toda a experiência Adams: o técnico paciente que espreme adversários de elite até secar, o competidor implacável que vence as partidas que decidem confrontos e — quando precisa — o atacante capaz de derrubar o número 1 do mundo com um sacrifício. Nada mal para um jogador apelidado em homenagem a uma aranha.
Quer entender como ele faz isso? Leia sobre o estilo de jogo de Michael Adams, explore as aberturas que ele usa, ou volte ao perfil principal de Michael Adams.
Perguntas frequentes
Qual é a partida mais famosa de Michael Adams? Para o público em geral, sua vitória na Olimpíada de 2010 sobre o número 1 do mundo, Magnus Carlsen, encerrada com um ataque sacrificial. O próprio Adams cita a partida decisiva do desempate em seu confronto de Candidatos de 1994 contra Sergei Tiviakov como sua mais memorável.
Michael Adams já venceu Magnus Carlsen? Sim. Na Olimpíada de Xadrez de 2010, jogando com as brancas, Adams venceu Carlsen enquanto Carlsen era o jogador número 1 do mundo em rating.
O quão perto Adams chegou de ser Campeão Mundial? Muito perto. No Campeonato Mundial da FIDE de 2004, ele chegou à final e empatou as partidas clássicas em 3–3 contra Rustam Kasimdzhanov, antes de perder o desempate em rápidas por 3½–4½.
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